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Mostrando postagens de Dezembro, 2016

Eu também, vó.

Eu também, vó, tenho vontade de chorar.
Quando eu vejo a cadeira sem balanço,
o armário sem contas a pagar.
A ausência é a maior dor que há.

Eu também, vó, queria voltar no tempo.
A um domingo em que fomos almoçar juntos,
Todos nós sentados na mesa a esperar.
Era o melhor programa que ainda há.

Eu também, vó, queria não lembrar.
Mas até a lembrança do vô é boa,
da voz dele, do cheiro, do caminhar.
Somos felizes por lembrar.

Eu também, vó, queria que ele estivesse aqui.
Não só hoje que meus olhos marejam,
mas por todos os dias vão passar.
Só eu sei a falta que dá.

Eu também, vó, queria não pensar.
Mas a cabeça, de súbito, traz o olhar,
e então chega a nossa vontade de chorar.
E o melhor que a gente faz, eu também sei, é deixar esvaziar.