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Mostrando postagens de Março, 2012

Jantar.

Ontem eu me lembrei de nós dois. Por um instante, passando na Avenida, no meio dos carros. E lembrei. Vi nosso restaurante, que visitamos certa vez. Destruído, assim como o que havia entre nós. As paredes derrubadas, os portões fechados e enferrujados, as janelas com trancas de madeira formando um ‘’x’’, os escombros, restos do que um dia ele foi. Lembrei-me de você na penumbra, das taças de vinho, das minhas mãos tremendo embaixo das suas... dos seus olhos que pareciam incapazes de dizer mentiras. Lembrei-me do meu amor. Que era bonito como aquele lugar em que jantamos juntos, cheio de corações pintados na parede, e o meu junto com eles, mas numa exposição que era só sua. Lembrei-me do quanto eu ansiava que tudo desse certo, da esperança que eu mantinha guardada no peito, do brilho que eu irradiava, da minha alegria. Ontem, em frente àquele lugar, lembrei-me de como fora perfeito para nós dois, hoje, dele, só ficaram restos, que ocupam um lugar à espera de serem retirados, para que …

Chuva.

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Todos fugiam da chuva embaixo de todas as suas capas, mas saiu correndo no meio da rua, pisando nas poças d'água, abrindo os braços para sentir os pingos que caiam do céu.
Todos os dias, todos eram presos em suas próprias vidas, mas saiu livre, rodando e cantando.  Todas as horas, todos reclamavam da chuva, que não passava, mas sentou no chão da calçada e ficou contando quantas gotas caiam por minuto, até se perder...  Todo o tempo, todos só queriam continuar a viver, mas sentiu a água molhando o rosto e não quis voltar para a vida, melhor era sentir a chuva.