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Mostrando postagens de Outubro, 2016

Sala de espera.

Todos nós queríamos abrir o berreiro, tais como bezerros desmamados, gritando aos berros pelas nossas tetas perdidas. Mas não tínhamos o direito. Se eu chorasse, então você se veria autorizado a chorar, então todos nós passaríamos a viver em prantos, como se não tivéssemos que cuidar de mais nada na vida. Guardávamos, então, nossas lágrimas, que caíam era para dentro de nós, até ficarmos encharcados e não comportamos tanto líquido. Mas, em um momento qualquer, havia alguém que abria as comportas interiores, e a inundação começava. Quando isso acontecia, em nosso meio, todos corríamos para afagar os cabelos e dizer palavras de esperança, as quais sabíamos serem muito falsas. Mas o tipo de falsidade que se permite, porque, sem esse conforto mútuo, talvez seria ainda mais difícil a todos guardar o pranto. Todos se dirigiam aquele que não mais suportou, pois ele era o foco agora, nós, demais, não nos era merecida atenção. Perdoável aquele choro e aquela dor por ele expressa. Todos nós sab…