O Vento levou.

Mas fiquei sem palavras, o Vento levou.
Calei-me à beira da estrada,
esperando que meus cabelos voassem novamente.
Sentei-me no acostamento,
sem medo de que não me vissem ali.
Passaram jumentos, mas não me olharam,
pessoas, mas nem resmungaram.
E voltou o ar em movimento,
levando-me dali.

Permaneci, todavia, com aquela mudez,
sustando os pensamentos,
toda vez que eles vinham.
E forçada.
Deveria calar.
Aquilo não era, porém, natural.
Ficava a barreira, apertando as coisas,
não deixando ser livre que nem o vento que as trouxe.
E assim era, mas vinha, de quando em quando,
aquele anseio de gritar.

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