Vazia.

A vida conseguia ser simplesmente vazia como meu estômago naquela manhã.
Roncou bem cedo, às seis horas. Vergonha do barulho, mas ainda não de estar embaixo do lençol.
Conseguia ser vazia como aquele copo de água ficou quando eu terminei de beber.
A sede não passou, mas foi embora a vontade de estar naquela cama estranha.
Vazia como o banheiro depois que eu me molhei no chuveiro, com a porta fechada, escondendo meu corpo, mas querendo lavar era a alma que insistia que estava suja. Mas a água não entra dentro de nós.
Vazia como o lugar que eu deixei depois de sair, não levando nada nem restando nada meu ali. Nem minha própria lembrança. Só uns fiapos de cabelo, que sempre caíam mais a cada dia.
Vazia como o elevador quando eu sai. Ficou sozinho, mas ele não sentia.
Vazia como o hall de espera, depois que eu pedi o endereço ao porteiro e sai para a rua também vazia.

Vazia como sempre eu ficava, porque só pensava, mas não fazia. Vivia vazia.

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