o silêncio que sobra.

É tanta coisa para falar que eu cuspiria na cara. Que eu diria com as palavras jorrando da minha boca, que nem uma chuva daquelas de trovões fortes, dessas que caíram ultimamente. Sairiam as palavras feito um trovão, quando elas costumam sair como um sussurro. Eu olharia nos olhos e falaria, falaria, falaria. Diria tudo que me impede de viver, tudo que me machuca, tudo que me faz querer gritar. E não me importaria se estariam me dando ouvidos, porque minha única preocupação seria não deixar de falar nada. E tudo que eu anotei naquele caderno eu falaria, tudo que eu sempre quis dizer, mas que calou por tanto tempo.Tudo que o medo calou, tudo que a cautela, o decoro, a vergonha calaram, eu diria. Quantas coisas seriam! Um mar, um deserto de palavras. E você sairia de perto porque não aguentaria ouvir toda aquela verdade, porque se continuasse ali a me ouvir, não conseguiria mais deitar a cabeça no travesseiro de tão pesada que ela ficara, e correria pra longe, para que o remorso não te corroesse as entranhas. E estaria longe quando eu assumisse minha culpa e pedisse desculpas por aquelas palavras,pelo jeito com que elas saíram. Pediria desculpas pela falta de educação delas, pelo jeito como te agrediram. Essas palavras presas são assim mesmo, gostam de se soltar...

- Oi. Quanto tempo!
- Oi. Saudade.
- Que mentira!
- É verdade, deixa eu te explicar.
- Tá certo.
- Desculpa.
- Tudo bem.

Cadê todas aquelas palavras loucas e desesperadas?
São envergonhadas, bobas, tolas. Elas se esconderam.

Fim. Silêncio.

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