Olhar para você.

Olhar para você
tem se tornado a coisa mais difícil
das piores coisas que eu podia imaginar.
É cortante, rasgante, gritante.
É olhar de cima de um precipício
e ver-se caindo, voando buraco abaixo.
Se, antes, era ver ondas em correnteza,
profundeza bela e provocante,
hoje, é ver um mar bravo e perigoso,
que só me leva ao afogamento.
Se era vontade de me jogar
nessa inconstância,
nesse jogo assassino de confiança,
hoje, é vontade de fugir, correndo,
do modo mais rápido que exista,
de buscar um abrigo em que eu não olhe,
não precise olhar nem por um segundo
dentro dos seus olhos.
Que seja embaixo da terra, acima do céu,
na escuridão da solidão
ou no arfar da multidão,
mas que seja logo, antes que me carreguem
e me joguem nessa armadilha
que eu mesma planejei
e esqueci de aprender como desfazê-la.

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