Meu orgulho medroso.

Eu pensei que nós podíamos sentir o mesmo, esconder o mesmo, fingir o mesmo, em reciprocidade.
Eu pensei quando te vi sem jeito, meio escorregadio, desviando o olhar, fugindo de mim, porque eu também fujo pra não me mostrar. Que lógica mais louca, pensei eu. Nunca ninguém saberá. Mas foram-se passando dias perdidos, encontros perdidos, palavras perdidas. Cada vez que eu pensava desse jeito, eu tentava fazer diferente, mas tudo que eu sabia era fazer o mesmo, pra que você não soubesse. Como se isso não fosse tudo que eu quisesse. E pensava em coisas que podiam te interessar, mas não as disse. Perdi oportunidades por medo de que tudo não fosse assim, não seja assim. Como eu pensei que fosse. E continuei achando as coisas estranhas, eu arredia e hostil, e como era difícil ser assim gostando tanto de você e sentindo tanta saudade. Mas não via resposta, nem tinha pergunta. Pois foram se estagnando meus sentimentos, e não achei mais que havia esse tal de recíproco entre nós, porque ninguém podia ser assim tão fechado como nós dois, nem esperar tanto tempo por algo que queria de verdade. Mas eu esperava, só que me fechava mais e mais, me afastava mais e mais. A distância aumentando, o espaço entre nós enorme e obscuro. Até que não entendi mais nada, nem o modo por que eu agia desse jeito. Nem por que eu achei que, por eu ser de um jeito, seria você assim também, aliás, nem soube mais o porquê de um dia eu ter achado alguma coisa. Só que continuava gostando de você, só não conseguia me encontrar nessa história toda, não sabia dizer quando foi que me perdi nesse jogo de me esconder, quando foi que eu tive tanto medo de que você não sentisse nada por mim, não lembrasse de mim, não quisesse ser meu quanto eu quero ser sua, qual foi esse dia em que eu tanto fiz pra guardar essas coisas dentro de mim, que as perdi no meu orgulho medroso. Então só me restou lamentar a minha covardia, só me restaram dúvidas, se você teria agido diferente se eu tivesse sido explícita ou se meus medos só seriam estrangulados e transformados em dor. Mas eu nunca soube, nunca vou saber.

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