Chuva.

Se existir coisa mais bonita que essa chuva caindo no quintal, molhando cada pétala de flor, cada grão de areia, as gotas escorrendo pelas folhas, inundando os jarros de planta, tingindo o céu de cinza, para, depois, pintá-lo do azul mais bonito que existe na cartela de cores. Se existir, eu ainda não vi. Essas mangueiras cobrindo a cachoeira, esquecidas, subindo pelo céu, quase tocando as nuvens. Detrás delas, o véu vai se encorpando, a água caindo e adicionando camadas e camadas de tule, deixando a serra ainda mais bonita de se ver, o dia ainda mais bonito de se viver. A cada minuto, tocando o mato e transformando o seco em verde, levando embora a feiura e trazendo a beleza mais bela desse mundo. Eu acho que não há coisa melhor de se olhar. Melhor seria se a chuva, assim com ela faz com todas as outras coisas, pudesse molhar dentro de mim, lavar minha alma, até que a sujeira fosse toda embora e, depois que ela passasse, também só sobrassem coisas bonitas para se ver. Mas, só de olhar, minha alma se alivia, pensando que, um dia, possa ser lavada também. Porque coisa mais bonita não há, que essas gotas caindo no quintal.

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