Gosto de vida.

- E essas lágrimas tem gosto de que?
- Gosto de vida. Sabe? De toda a sua vida, desabando. São pesadas, amargas... Quando vem tudo à tona, quando seu caminho tá tão errado, confuso, que só restam lágrimas no meio dele.
- Querida, tudo tem jeito nessa vida.
- Eu sei, eu sei, mas parece que não tem, que nada mais vai dar certo, tudo tão irremediavelmente errado. Não achei que elas fossem cair logo assim, achava que aguentava mais, até que isso tudo passaria, e elas continuariam guardadas, dando tudo de si para não caírem, duvidei da minha fragilidade, pensava que tinha me tornado forte, que entendia, que conseguia aceitar certas coisas. Mas não, é como se tudo explodisse agora, de uma hora para outra, como se meu corpo não suportasse guardar mais tudo. Desisti de tentar aceitar, de querer acreditar que as pessoas são assim. Não, não podem ser. São pessoas!
- Mas as pessoas são diferentes. Umas pensam mais que outras, sentem mais que outras, importam-se mais que outras.
- Isso não é uma brincadeira. Pessoas não são uma brincadeira. Acho que todo mundo devia, pelo menos, olhar para o lado e ver no outro a si mesmo e tentar ser mais verdadeiro, mais honesto, mais... sabe?
- Sei, também acho. Então é por causa dele?
- Não, não é. É por causa de tudo, de todos, de mim. De mim, principalmente.
- Queria poder fazer alguma coisa...
- Eu também. Mas deixa eu chorar...

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