Luz dos Olhos.

Os olhos fecharam num segundo,
lentamente.
Nem deu tempo rever a vida,
arrepender-se.
Não deu para sorrir,
lembrar-se.
Nem dizer tchau ou adeus,
agradecer.
Nem ouvir que faria falta,
orgulhar-se.

A sede de viver matou a própria vida.
Numa discrepância tênue e absurda.
Um ultraje ao desejo de viver,
uma afronta à ânsia dos que vivem.
Brincadeira do destino,
pegadinha da Senhora Morte,
esta que, ávida, deselegante, imperiosa e inescrupulosa,
só sabe fazer piada sem graça.

As cores foram-se embora,
veio o preto mascarando as faces,
sombreando a vista,
iludindo a Vida.
Teimara, tal Senhora, enaltecera seu significado,
lutara para se manter.
Fora forte, brava, sensata.
Sensatez não era a palavra do dia.
Ou sentido. Ou razão. 
Porque assim quero, ordenou a outra,
e arrastou o manto negro,
sem dar explicações,
por cima da pele já sem cor, dos olhos já sem brilho.

Mal sabe ela, entretanto,
que, pode ter tirado a cor daquele olhar,
mas que nunca vai poder apagá-lo dos olhos que o viram.
A memória não se apagará,
e sempre falará mais alto,
pois a Vida tratou de eternizá-lo em cada retina que ainda vive,
e a Senhora Morte,
tendo agido da maneira covarde como agira,
não era capaz de ofuscar a luz daqueles olhos.

Comentários

  1. Meline,
    nem sabia que você escrevia (como escreve!).
    Se lhe servir de alguma coisa, gostei muito do seu blog.

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  2. Obrigada, João Lucas!
    Vindo de um escritor tão bom como vc, serve e muito! :**

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