Leite derramado.


- Flor, não adianta chorar por leite derramado.
- E o que é que adianta, então?
- Cuidar para que ele não derrame.
- Mas, se eu ficar o caminho inteiro preocupada com esse balde de leite, mamãe, que você tanto mandou que eu trouxesse bem cheio, que era para fazer um bolo, eu teria que olhar só pro balde... E eu queria brincar com os coelhinhos, com os pássaros que ficam cantando para mim, queria me divertir também.
- Tudo bem, querida, você é só uma criança. E leite a gente compra em qualquer esquina. Mas aprenda para toda a sua vida : depois que você se descuidou do leite e deixou que ele derramasse, não chore o dia inteiro, até porque, enquanto você chora, poderia já ter ido lá e pegado mais, e eu já teria acabado com isso.
- Vou lá de novo. Desculpe, mãezinha.
Dessa vez, Maria cuidou do leite, e o balde chegou cheio em casa. Até porque a diversão do caminho já tinha perdido a graça.
- Mas, mamãe, - disse ela com a boca cheia de bolo, - eu não entendi porque vou ter que cuidar para que o leite não derrame a minha vida toda. Você falou que, quando o Pedrinho fizesse 10 anos, ele que iria comprar as coisas.
- É verdade, querida, já está chegando a hora dele. E quando você for mocinha, vai entender o que eu quis dizer.
A menina ficou pensativa, mas logo esqueceu.
...
Maria cresceu e, certa vez, chorava muito arrependida de algo que tinha feito. Foi então que lembrou as palavras da mãe.
- Claro que a mamãe não falava só de leite!
Enxugou as lágrimas e foi viver.

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